27 de janeiro de 2015

Cadê a comunicação interna?

Por mais incrível que pareça, aos meus olhos, a maior dificuldade das empresas está em trabalhar a comunicação com o público interno. E este, é um público tão importante quanto a imprensa, o governo e a comunidade, pois todos esses são grupos formadores de opinião. A pessoa que está a frente da empresa não consegue enxergar que seus próprios funcionários são uma via de comunicação valiosa. Um funcionário com certeza vai falar de sua empresa aos amigos, colegas e familiares. E se esse empregado não estiver satisfeito com seu empregador e seu trabalho, pode ser prejudicial à imagem da empresa.

A maioria das pessoas vivem com salários baixos, muita pressão, falta de benefícios, contudo, percebemos situações em que os salários podem ser razoáveis, os benefícios consistentes e, ainda assim, o funcionário não se sente feliz. Pois esse trabalhador não respeita e nem reconhece a própria empresa em que trabalha, ele não se sente valorizado e nem importante. E esse é exatamente o tipo de cara que jamais vai compartilhar um post da empresa no seu Facebook pessoal ou levar uns panfletos na padaria em que frequenta. É importante sim ter um bom relacionamento com a público interno, seus funcionários também são seres humanos e se o público que está dentro da empresa não tem respeito por ela, nem adianta começar os trabalhos com o público externo.

É incrível pensar que em muitas instituições falta comunicação dentro dela mesma. Ninguém está sabendo do evento, fulano disse que o Diretor mandou fazer assim, ciclano disse que o Vice-diretor mandou fazer assado e assim vão os funcionários tropeçando nas informações para tentar trabalhar. Assim, a galera só fica sabendo o que está acontecendo na empresa em dois pontos: banheiro e café.
Para a informação chegar à todos os departamentos é preciso criar vias, seja ela por e-mail, informativos impressos ou mesmo pessoalmente em reuniões semanais. Mas é preciso colocar isso em primeiro lugar, seu público interno (funcionários, colaboradores e clientes) são o primeiro público, o mais importante, aquele no qual você deve pensar primeiro todos os dias.

12 de novembro de 2014

Lágrimas de uma mãe qualquer

Eu cheguei com um sorriso, mas ao olhar para seu rosto já vi que havia algo errado. Era o rosto de uma mãe, da Dona Ana.
Ana é daquelas mães que dão a vida por seus filhos. Tira da própria boca pra dar pras crianças. Não viaja, não passeia, não curte a vida. Sua função é garantir um futuro melhor para os filhos.
Lágrimas começaram a brotar em seus olhos e eu me espantei. Palavras e mais palavras, desabafos. Ana estava a beira da depressão. Depressão não é tristeza, e sim a falta de esperança.
Ela tinha feito uma drástica descoberta naquele dia: a de que seu filho era usuário de drogas. Encontrou a droga dentro de sua própria casa e o filho foi obrigado a confessar. Seu mundo se despedaçou. Nada fazia sentido. Escuridão. Dúvidas. Medos. Mas mesmo assim, amor. E a grande questão era: Por que?
  - Sou uma boa mãe, sempre dei tudo, fiz de tudo por eles, como ele faz isso comigo?
Dizia Ana aos prantos. Até então eu nunca tinha visto de perto o efeito das drogas. Elas não fazem mau apenas ao corpo, não é só o físico que afeta, o psicológico é o que mais sofre. E o usuário não sofre sozinho, a família toda sofre junto.
Eu queria apenas que esse filho ouvisse o que eu ouvi da mãe dele. Eu queria que esse filho visse as lágrimas derramadas. Filhos nunca estão satisfeitos porque não entendem como funciona o mundo. As coisas não são fáceis para ninguém.
Mãe, me ajuda.

7 de novembro de 2014

Desabafo sobre o trânsito

A vida toda eu sonhava com o dia em que poderia dirigir. Já sonhei muitas vezes literalmente. Sempre foi algo que me fascinou, poder ir aos lugares por si mesmo, sem depender dos outros, poder ser útil, ser livre. Sempre achei que quando completasse 18 anos, no dia seguinte já estaria fazendo as aulas da autoescola. Doce ilusão.

Aconteceu que, fiz 18 e nada mudou. Não tinha tempo e muito menos dinheiro pra pagar autoescola. Eu era estagiária, trabalhava o dia todo, ganhava muito mau e meus pais não tinham condições de pagar pra mim. Enfim, fui dar entrava da autoescola 8 meses depois da maioridade, e paguei parcelado ainda. Finalmente achei que em breve realizaria aquele sonho. Mais uma doce ilusão. A burocracia é gigante no Detran. É papelada, é documento, é foto, é médico, é tudo. Aulas e mais aulas. Prova teórica que foi marcada para depois de três meses. Quarenta horas de aulas práticas. É luta e espera que não tem fim.

Já com 19 anos, consegui ela, a tão sonhada carteira de motorista (ou PPD para os "iniciantes", que é o meu caso), o pedacinho de papel que iria mudar a minha vida. Ou deveria.

Nada mudou. Continuei andando de ônibus e dependendo da boa vontade dos meus pais para emprestar o carro para ir na esquina comprar pão, só para ter o gostinho de dirigir.

O desespero aumentou. Tanta luta pra nada, pra continuar nessa vida de sair 1h30 mais cedo de casa por causa do ônibus.

Após uma grande dose de coragem, sorte e iluminação divina, consegui comprar uma moto. O sonho era um carro, óbvio, mas acabou que agora gosto muito mais de moto.

Foi ai a minha verdadeira estréia como motorista nesse trânsito de Taubaté/Tremembé.

E foi aí que chegou mais uma decepção. Descobri que o trânsito não é tão legal assim. O trânsito é decepcionante e as pessoas são mais ainda. Achei que os motoristas eram felizes por poder dirigir e ir aonde quiser, mais então vi que os motoristas odeiam dirigir. (Aposto que não lembram da época em que pegavam ônibus).

Ninguém respeita ninguém, muito menos as leis de trânsito. Estar na rua te faz desaprender a dirigir. As pessoas fazem tudo errado. De acordo com minha observação, mais de 50% dos motoristas não dão seta ao virar (algo de extrema importância nessas cidades que possuem milhões de rotatórias). As pessoas não param quando devem parar, não dão preferencia quando é pra dar, não parar para os pedestres nem mesmo na chuva. Uma vez parei para uma velhinha atravessar e todos os carros atras ficaram buzinando. Falta de educação.

As pessoas não dirigem para os outros, como deveria ser, elas dirigem para si próprias, não estão nem aí, viram sem dar seta mesmo, passaria por cima até se pudesse. E tem também aqueles que são tão desligados que só veem que o sinal abriu quando ele está fechando.

O trânsito é triste, as pessoas são ignorantes. Gostaria que os motoristas se lembrassem da época em que andavam de ônibus e demoravam duas horas para chegar ao seu destino, dar a preferência pra alguém ou parar para um cidadão atravessar a rua, não vai acabar com sua vida.

22 de outubro de 2014

Você poderia

Você poderia ter sido ele.
Poderia ter sido o homem da minha vida, meu amante, confidente, meu amigo. Você poderia...
Poderia ter sido perfeito, não em si, mas pro nosso amor. Perfeição não existe.
Poderia ter sido louco, maluco pela vida, não levado tão a sério...
Poderia ter me dito o que pensava no exato momento...
Poderia ter sido mais compreensível, mais leve, menos exato.
Poderia ter ficado ao meu lado naquele pôr-do-sol.
Poderia ter me dado a mão e me levado contigo...
Poderia ter respondido todas aquelas cartas ignoradas...
Poderia ter dito tantas belas palavras...
Poderia ser se importado menos com problemas pequenos... e perdoado mais.
Poderia ter valorizado mais as pequenas coisas e presenteado mais com simples gestos.
Poderia ter me surpreendido, me levado ao delírio.
Poderia ter feito aquela lágrima virar um sorriso com um simples beijo.
Poderia ter explicado melhor aquele mal entendido.
Poderia ter deixado o orgulho de lado em nome de algo maior.
Poderíamos ter sonhado mais.
Poderíamos ter feito mais loucuras, mais risadas, mais passeios bobos...
Poderíamos ter sido mais amigos e confidentes...
Poderíamos ter desabafado todos os sentimentos e pensamentos.
Poderíamos ter sido mais sinceros um com outro.
Poderíamos ter mais confiança e esperança.
Nesse mundo inconstante de possibilidades, já não importa mais o que foi feito ou não. Atos e palavras dessa história, com começo e meio levaram a este fim. Fim simples, como sempre fomos. Fim feio para um começo tão bonito. Tardio, repentino, inesperado, assustador. As coisas aconteceram, erros foram cometidos. O que deixamos ou não de fazer não é mais. Não é mais nada. Não somos mais nada. 

13 de outubro de 2014

O valor das coisas

Afinal, quem define o valor das coisas?
Qual o valor de um beijo, de um abraço? De um amigo, de um namorado? De uma foto ou um vídeo? De um trabalho realizado?
De onde vem o valor?
O valor das coisas somos nós quem damos. As pessoas sempre querem valorizar a si mesmas e desvalorizar os outros, querem ser importantes e menosprezam o suor dos outros.
Você, na humildade, pode acabar desvalorizando a si mesmo, pode pensar que não é o melhor e nem o mais importante e que não merece mesmo. Você não precisa ser o melhor para se valorizar, você tem o seu valor, seu trabalho é importante, afinal você estudou muito e batalhou muito para saber fazer tudo o que você faz hoje.
Qual vale o seu tempo?
Tempo, uma coisa preciosa nos dias hoje, tempo, que todos querem e poucos têm.
Você é um ser humano e merece ser valorizado. Conhecimento não vêm de graça e nem cai do céu. É preciso muita força de vontade e luta para correr atrás dele.
Pense nisso, será que você está dando o devido valor aos outros e a si mesmo?

4 de setembro de 2014

Dupla musical de Taubaté aposta no sertanejo rumo ao sucesso

Por Alessandra Maria 

Ninguém nasce sabendo. Nessa vida tudo se aprende. E foi desde cedo que os irmãos Renata Santos, de 25 anos, e Gustavo Oliveira, com 30 anos, foram influenciados pela música graças a seus pais e avós que sempre foram apaixonados pelo mundo musical.

Quando Gustavo completou 14 anos, ganhou um violão do seu avô materno, João dos Santos. Daí em diante foi notável sua habilidade com instrumentos musicais, arriscando até com instrumentos de percussão, como o cajón. E a Renata, sempre observando seu irmão, também foi presenteada com um violão aos doze anos, pelo avô João.

Em 2005, decidiram montar a dupla, fazendo as primeiras apresentações em público. Gravaram seu primeiro CD no estilo pop e MPB com músicas de autoria própria em 2007. Enfrentando todas as dificuldades, o CD foi lançado apenas em meados de 2010. “Na época não sabíamos ainda qual estilo seguir, então escolhemos esse lado mais romântico, só que aqui no Vale do Paraíba já existem muitos músicos bons nesse estilo”, explica Renata.

Hoje, mais maduros no mundo da música, estão produzindo o segundo CD, dessa vez com o estilo bem definido, sertanejo. “O sertanejo universitário é o que tem feito sucesso hoje em dia, e aqui no Vale não tem muito, então não tem jeito, tem que ser o sertanejo que é o nosso forte mesmo”, conta a cantora.

Desse novo CD, a dupla já gravou a primeira música que será o grande hit desse álbum, a música “Um centavo”, de autoria própria, ganhou até videoclipe oficial no youtube. Já fizeram, inclusive, a sessão de fotos para a capa do CD, na cidade de Campos do Jordão. Junto com o lançamento dessa canção na internet, Renata e Gustavo também lançaram um novo site. Mas, não é fácil, com preços altos, falta de patrocínio e recursos, é muito complicado hoje na região para que os músicos possam crescer. “O custo é realmente muito grande, então por isso leva certo tempo para poder gravar todo o CD”, afirma Renata. Mas, a dupla segue confiante e pretende lançar esse segundo CD no começo de 2015.

No dia 15 de julho deste ano, a Dupla se apresentou em um grande show na cidade de Borda da Mata em Minas Gerais. “Nunca tivemos um público tão grande e receptivo, foi uma experiência incrível”, afirma Gustavo. Hoje, o trabalho da dupla envolve desde apresentações em bares, confraternizações, convenções, shows e até casamentos.


3 de setembro de 2014

Desafio sem maquiagem

Após o famoso balde de gelo que inundou de postagens o instagram e facebook (mesmo com o país em uma situação crítica de seca), eis que chega mais um super viral.

O desafio da CARA LIMPA / SEM MAQUIAGEM / SEM FILTRO / CARA LAVADA

Desculpe prima linda que me desafiou, mas, ah, que preguiça desses virais. Minha rotina é sem maquiagem, eu posto sempre no instagram fotos minhas sem maquiagem, pra quê isso? Por que tão sensacional e tanta febre pra uma coisa tão normal?

É triste pensar que hoje em dia tem gente que não sai de casa sem maquiagem, nem pra ir na padaria.

Eu me sinto tão bem sem maquiagem, é tão mais prático. Me arrumo mais rápido, posso chorar, coçar o olho, posso suar, fico limpa, sem sujeira, me sinto mais eu. Afinal você é assim ou você só é você com maquiagem? Espera que tem alguma coisa errada com você então.

Você é linda do seu jeito, linda ao natural. Quer coisa melhor do que se sentir linda naturalmente? Você não precisa de nada artificial, não precisa de maquiagem, nem silicone e nem photoshop. Você é linda. Não deixe que essa sociedade consumista com seu padrão de beleza te faça pensar ao contrário.

Repita comigo em voz alta: EU SOU LINDA. De novo: EU SOU LINDA.

Nós somos o que queremos ser, e é precisar amar primeiramente a si mesmo para ser feliz.

Não pensem que sou contra a maquiagem, não. Eu gosto de maquiagem, mas uso eventualmente, só em festas ou eventos especiais para dar uma cara de mais arrumadinha. Mas, na rotina, no dia-a-dia, uso no máximo um batonzinho. É raro eu usar maquiagem em dias comuns, eu fico o dia inteiro na rua, a make não aguenta, eu me sinto feia e suja. 

Maquiagem, use, mas não abuse. USE COM MODERAÇÃO.

8 de julho de 2014

Dehoniana

Só depois de dois meses consegui tempo para este post. Devido as milhares de perguntas que vivem me fazendo sobre meu novo trabalho, hoje estou aqui para escrever um pouco sobre a Faculdade Dehoniana.

A Faculdade Dehoniana é uma Instituição de Ensino Superior credenciada pelo MEC que está localizada em Taubaté, no bairro Vila São Geraldo, próximo ao Centro. Temos os cursos de graduação de Administração, Teologia e Filosofia. Também temos cursos de pós-graduação e cursos de extensão.

Ela foi fundada em 1924, quando foi dada aprimeira aula de teologia neste espaço, portanto a faculdade existe a quase 100 anos.

A visão educacional da Dehoniana é a seguinte frase: "Por uma fé inteligente, unimos razão e coração".

A missão é promover a educação integral a partir de vínculos interpessoais inspirados na cordialidade do Cristo Mestre, em vista da construção de uma sociedade mais humanizada.

Já deu pra perceber que a Dehoniana não é uma IES qualquer, aqui você é valorizado como ser humano, e não como apenas mais um aluno resumido ao número de matrícula.

Muitos me perguntam se aqui é uma escola de Padre. Sim e não. Os padres se formam aqui, sim, eles estudam filosofia e teologia para se tornarem padres, mais leigos e qualquer um que quiser pode estudar aqui. Qualquer um pode fazer teologia, filosofia e principalmente administração. Além dos cursos de entesão maravilhosos que tem aqui, de todas as áreas, até inglês, italiano, Libras, etc. Com preços super acessíveis.

O que eu faço
Sou responsável pelo setor de Comunicação e Marketing. Todas as campanhas, panfletos, e divulgações sou eu que crio e faço. Eu que sou a social media, a assessora de imprensa, a publicitária, entre outros daqui. Cuido do Facebook, do site, das redes, da comunicação em geral da instituição.






10 de junho de 2014

Violões feitos em Taubaté vão para todo o país

(Escrevi essa matéria ano passado e foi publicada no Diário de Taubaté no dia 27 de setembro de 2013, só hoje lembrei que não tinha postado aqui no blog. É um perfil sobre um luthier muito legal de Taubaté.)

O artesão Lineu Bravo é um luthier que faz sucesso no Brasil com seus instrumentos profissionais feitos sob medida no Vale do Paraíba.

Por Alessandra Maria – Vale Repórter Unitau

Digite a palavra “luthier” no Google, e, depois do link da Wikipedia, Lineu Bravo será o primeiro registro da lista. Um profissional como ele precisa ser facilmente encontrado pelos músicos de todo o país. Lineu já fez instrumentos para várias estrelas da música brasileira, como Chico Buarque, Ana Carolina, Guinga, entre muitos outros. E, sim, ele mora e se dedica à arte de construir violões, cavaquinhos e bandolins na cidade de Taubaté (SP).


A habilidade de Lineu com madeira começou há muito tempo, em Sorocaba (SP), sua cidade natal. Quando era apenas uma criança, ele gostava de perguntar ao pai: “Vai sobrar alguma coisa?” O que o menino queria eram apenas os restos de madeira do trabalho do pai marceneiro. Com os “presentes” que recebia do pai, o jovem Lineu gostava de construir os seus próprios brinquedos feitos de sobra da madeira. Já seu primeiro contato com a música foi por conta da mãe, que vivia a cantar e a ouvir rádio, pois gostava muito de música. Aos 10 anos, Lineu aprendeu sozinho a tocar cavaquinho.

Aos poucos, o jovem foi se distanciando do seu hobby com a madeira. Trabalhou em uma loja de materiais de construção e, mais tarde, chegou a fazer dois anos de faculdade de Direito. Mas as coisas não estavam dando certo. Ele estava ‘quebrado’, sem emprego, sem dinheiro, sem expectativas. Era final dos anos 90, e uma ‘febre’ de pagode dominava o país. Foi quando Lineu decidiu fazer uns cavaquinhos para vender. De começo, não deu muito certo, pois suas criações não venderam rápido. A vida toda ele já havia feito vários instrumentos como hobby, mas construir um violão, isso ele nunca havia experimentado. Apareceu então, um amigo que lhe emprestou um violão de boa qualidade, e Lineu tentou fazer seu primeiro violão na mesma linha desse instrumento. Depois disso, sua vida se desenrolou e a dificuldade encontrada na venda dos cavaquinhos não existiu com a venda dos violões. O destino não conseguiu separar o Bravo luthier da madeira.

Vários desafios se apresentaram. “Eu aprendi a fazer, fazendo”, confessa, de bom humor, Lineu Bravo. Ele nunca leu um livro sequer sobre a arte da luthieria, nunca fez cursos, nunca trabalhou com outro luthier e muito menos tinha entrado em uma fábrica de violão quando começou. Com mãos já habilidosas para mexer com madeira, Lineu tentou entender a função de cada parte do violão e juntando isso com o ouvido apurado, desenvolveu o que tem hoje, a marca de violões Lineu Bravo. “Eu não entendia a lógica da acústica do instrumento. Então, eu peguei um violão e tirei mais ou menos as medidas e tentei entender porque aquelas coisas tinham aquele formato”, relembra o luthier. “O maior desafio foi tentar conseguir a sonoridade que eu queria, utilizando os materiais que eu tinha”.

Ele escolheu Taubaté para se instalar e fabricar violões. Para ele, a cidade do Vale tem qualidade de capital e tranquilidade de interior, num ponto geográfico estratégico, próximo à Rodovia Presidente Dutra que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. O sucesso de Lineu está na preocupação com os pequenos detalhes, isso faz com que seus instrumentos sejam de ótima qualidade. “É preferível um violão com bom material feito por um luthier excepcional do que um material excepcional feito por um luthier mais ou menos”, opina o talentoso fabricante de violões, bandolins e cavaquinhos.

O profissional sempre trabalhou sozinho, não tem coragem de deixar ninguém responsável por uma parte sequer na montagem do violão, cada detalhe é importante, e só ele sabe todos os ajustes e processos necessários. Lineu adora ter o feedback dos clientes, pois é com as críticas que consegue aprimorar seu trabalho.

Um cuidado muito importante é manter a madeira longe da umidade. No local onde ele faz a fabricação, possui uma sala especial com um desumidificador de ar, onde fica armazenado o seu material de estoque e onde acontecem alguns processos de colagem e de pintura dos instrumentos. Em seus 12 anos de carreira, o luthier já fabricou cerca de 400 instrumentos, sendo que cada um demora entre dois a três meses para ficar pronto. Esses detalhes fazem com que cada vez mais músicos procurem luthiers, pois na linha de montagem em um fábrica de instrumentos não existem esses cuidados perfeccionistas que os grandes expoentes da música brasileira procuram.



Ao digitar “luthier” no buscador mais famoso da internet e encontrar o site de Lineu, dá para ler, no mesmo link, depoimentos de vários músicos de renome. Chico Buarque, por exemplo, escreveu assim: “O violão do Lineu Bravo é o de minha estimação. Além de bonito toda a vida, é violão compositor”. Já Guinga deixou o registro: “O Lineu é a grande revelação da construção do violão. Ele ascendeu muito rapidamente e estará brevemente entre os melhores do mundo. É um gênio”.

E este trabalho é reconhecido pela cidade de Taubaté. Em agosto, Lineu foi homenageado na Casa do Figureiro, em solenidade da Câmara Municipal de Taubaté, no Dia do Folclore. “No primeiro momento, eu fiquei surpreso pelo convite; no segundo momento, eu fiquei surpreso por ser pelo Dia do Folclore. Então, eu pensei: Será que eles estão confundindo mula-sem-cabeça com mula-sem-cabelo?”, brinca Lineu. “Mas o folclore é cultura popular e eu sou um cara que trabalha em função da música popular”.

A profissão de luthier é clássica, artesanal e exótica. Mesmo assim, Lineu não deixou de usar a tecnologia a favor de seu trabalho. Por não gostar muito de mexer na internet, contratou um profissional para fazer sua página no Facebook, além de um site, vídeos no Youtube e um blog. “As redes sociais potencializam o grande talento do luthier”, afirma Kelly Nagaoka, dona da empresa Nagaoka Mídias Sociais, que presta serviço de assessoria digital a Lineu Bravo. Kelly admite que, para esse tipo de trabalho, é preciso ter bastante cuidado quanto ao conteúdo postado. “O cuidado é na pesquisa do conteúdo que não é comum em nosso dia a dia, isso exige um maior estudo de quem escreve para as redes sociais de Lineu”, afirma a empresária.


Lineu leva hoje uma vida tranquila, está em “um relacionamento sério”, trabalha em horário comercial, pratica atividades físicas, fabrica violão – mas não toca – e quem quiser encomendar um Lineu Bravo terá que esperar mais ou menos um ano para receber seu instrumento exclusivo e feito sob medida. Uma vida normal para quem tem uma profissão tão exótica.

Para o futuro, Lineu deseja continuar trabalhando e se aperfeiçoando na arte da luthieria. Agora, se alguém quiser saber quanto custa um violão Lineu Bravo, vai ter que começar procurando o luthier no Google.´





Como eu havia dito no início, a matéria foi capa do jornal Diário de Taubaté no dia 27 de setembro de 2013 e ganhou uma página inteira.