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14 de junho de 2013

Correria

Vai e vem, vem e vai, vira pra lá, vira pra cá, desvia do poste, ultrapassa a senhora lenta, cuidado. Olhe pra um lado, olhe pro outro, sinal verde mais não tem carro, corre, corre. Pare, a senhora de cabelos vermelhos te fez parar.

Ela ‘deu seta’ para virar e você não viu, quase bateu de frente com ela, ai você para. Percebe que o rosto dela está borrado com um pó laranja, talvez seja resíduos do salgadinho chips barato que ela comprou por quilo numa mercearia qualquer, deve ter custado 50 centavos e sujou toda a boca, mãos e roupa com esse pó laranja que talvez seja fedorento e você da graças a Deus por não ter sentido o cheiro ruim do pó. Talvez ela ainda esteja com fome.

Ela está usando um casaco beje que deve ter comprado em um brechó do bairro, o casaco também está sujo. Então ela da meia volta, te deixando confuso do destino dela e do seu caminho. Ela para em frente a uma loja de artigos de cama, mesa e banho para a casa.

Onde será que esta mulher suja, de cabelos vermelhos, casaco beje e sapato que você nem sequer reparou mora? Então, o que isso vai mudar na sua vida, talvez nada, ou talvez a próxima vez que comer salgadinho chips barato comprado numa mercearia qualquer você não se esqueça de limpar os resíduos caídos no rosto e na roupa.

Enfim você encontra seu caminho e segue em frente, desviando de pequenas histórias que você ignora simplesmente por hábito ou pressa.





18 de março de 2013

Mais um dia...

Eu estou andando do mesmo jeito, como todos dias. No mesmo horário, com a mesma pressa. O céu está nublado, o vento frio que me mantém acordada. A música está alta em meus ouvidos e hoje eu não quero reparar em nada do que sempre reparo. Só quero esquecer tudo a minha volta, aumento o volume e sigo em frente. Meu corpo segue, mas minha mente quer estabilizar, ela quer ficar quieta um momento, sozinha. Estou precisando de muitas coisas nesse momento, inclusive comida e uma boa companhia. Mas nada que quero eu posso ter agora, penso que é sempre assim, nunca iremos ter tudo o que queremos. Temos a ilusão do querer ter. Mas estou sozinha, não me sinto bem, mais queria poder me sentir bem assim (e la esta o verbo 'querer' de novo), já que é assim que vou viver minha vida, sozinha. Estou com preguiça de olhar pros lados e atravessar a rua. Não preciso olhar mesmo, esse horário o movimento é escasso e espero que os motoristas estejam acordados o suficientes para me enxergar. Os sentimentos estão pulando dentro de mim e faço uma barreira para empurra-los em um canto, para que fiquem apertados e se mexam menos. Assim posso pensar em outras coisas e tentar me distrair. E já vou finalizar este pequeno texto, pois escreve-lo está me fazendo lembrar de tudo que eu agora só quero esquecer.