Mostrando postagens com marcador rotina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rotina. Mostrar todas as postagens

2 de abril de 2014

Ônibus, o famoso busão

Esse é o grande meio de transporte. Famoso, popular, impossível achar alguém que nunca subiu em um para um passeio. Tem os mais chiques, leito, com wi-fi, ar condicionado, televisão, e tem os pobrezinhos, que são aqueles que rodam todas as cidades do país apilhados de gente se sentindo sardinhas na lata. O meio de transporte que gera intrigas, assédios, e até mesmo manifestações. Por que o nosso querido busão que nos leva todos os dias nos gera tanta repugnância? Por que todos que andam de ônibus sonham em poder se livrar dele? São diversos motivos, mais principalmente é porque o sistema ainda é precário. 
Primeiramente, o horário. Tem ônibus que só passa a cada 1 hora. Se você chegar no ponto e o busão tiver acabado de passar, vai ficar lá, de pé, no sol, uma hora, no ponto. Ah, o ponto. Lindos esses pontos que ficam no meio do mato, sem sombra, sem assento, perfeito para o cidadão se sentir feliz e confortável. E quando o ônibus não vem? Senta (na calçada) e chora, liga pro chefe porque você vai atrasar. E, fique esperta, vão aparecer muitos homens te assediando quando você tiver no ponto, isso acontece comigo todos os dias. Moço, não é porque eu to no ponto esperando a droga do ônibus que sou obrigada a escutar essas coisas! #estressadalogocedo
Legal, depois de tanta espera, e tanto sofrimento de pé no sol carregando sua mochila pesada e ouvindo animais te assediando, você vê o ônibus, e sente um alívio pois enfim poderá sentar e descansar suas costas que agora já doem em plena 7 horas da manhã. Ou foi isso que você pensava. O ônibus vem lotado de gente e quase não espaço para você ficar de pé. Você se livrou do sol, mais agora tem ser artista de circo, achar espaço, se pendurar nos cabos, segurar a mochila na frente para ninguém te roupar e ainda proteger a retaguarda dos tarados de plantão. E, se esquivar do povo que cedinho já está fedendo urubu pobre. Agora a missão é se infiltrar lentamente para o fundo, sem esbarrar nas pessoas, para que você possa conseguir descer no ponto certo. Depois de muito suor, você desceu, finalmente, alívio. Cansada, com dor nas costas, estressada, suada, agora você precisa andar mais uns 3km até o seu trabalho. E ainda chegar lá com uma cara feliz de bom dia, de descansada, limpa e tranquila. Não é fácil a vida de quem anda de ônibus. Entendam. É muito sofrimento. 

25 de junho de 2013

Sobre trabalhar em uma ONG

Trabalho em uma ONG que cuida de pacientes com câncer, mais meu papel aqui nada tem a ver com saúde. Trabalho como Analista de Mídias Sociais no setor de divulgação, sim, uma Ong grande como a nossa tem este setor, já que precisamos propagar nossa marca e nosso trabalho para que mais pessoas nos ajudem a ajudar os outros. E não, eu não sou voluntária, uma Ong também funciona como uma empresa e ela precisa de funcionários que se dediquem e trabalhem 8 horas por dia. Aqui temos alguns que fazem serviço de voluntario, mais estes não podem dedicar mais que uma hora do seu dia, já que possuem outras ocupações.
Quando me perguntam onde trabalho, as pessoas sempre me questionam sobre a credibilidade, a confiança, e a verossimilidade desta Ong. Não as culpo por pensar isso vendo que muitas Ongs são fraldes e funcionam apenas de fachada. Sempre respondo a mesma coisa. Eu não trabalho no departamento financeiro, nem no administrativo e nem afins. Mas, o bom de se trabalhar com mídias sociais é o feedback instantâneo. Eu vejo todos os dias diversos e-mails, comentários, depoimentos, mensagens e compartilhamentos de pessoas contando suas histórias. Histórias muitas vezes tristes, que se tornam alegres graças as ajuda da Ong. Faz meses que trabalho aqui e nunca vi nenhuma frase de um paciente mal atendido ou insatisfeito. Todos estão sempre gratos a nós pela ajuda na vida deles, que eles não saberiam o que seriam deles sem a Ong. Então uma coisa é certa, muitas pessoas sobrevivem graças a tudo isso aqui. Se você quer saber se uma Ong é confiável antes de ajudar, é simples: entre no facebook dela e veja o que os pacientes falam. É público, todos podem ver. Pessoas que não possuem planos médicos, só conseguem aqueles remédios caríssimos graças a Ong. Aqui nós fazemos o que o governo deveria fazer e não faz: cuidar do seu povo doente e disponibilizar qualidade de vida a população.

Para encerrar, coloco aqui algumas palavras que uma paciente da Ong mandou pelo inbox do facebook:

"Parabéns pelo maravilhoso trabalho que vocês fazem ajudando as pessoas com essa doença , pelo acolhimento que eles recebem quando chegam e carinho e atenção de vocês. Que Deus continue ajudando vcs !!"
E. G. S.

14 de junho de 2013

Correria

Vai e vem, vem e vai, vira pra lá, vira pra cá, desvia do poste, ultrapassa a senhora lenta, cuidado. Olhe pra um lado, olhe pro outro, sinal verde mais não tem carro, corre, corre. Pare, a senhora de cabelos vermelhos te fez parar.

Ela ‘deu seta’ para virar e você não viu, quase bateu de frente com ela, ai você para. Percebe que o rosto dela está borrado com um pó laranja, talvez seja resíduos do salgadinho chips barato que ela comprou por quilo numa mercearia qualquer, deve ter custado 50 centavos e sujou toda a boca, mãos e roupa com esse pó laranja que talvez seja fedorento e você da graças a Deus por não ter sentido o cheiro ruim do pó. Talvez ela ainda esteja com fome.

Ela está usando um casaco beje que deve ter comprado em um brechó do bairro, o casaco também está sujo. Então ela da meia volta, te deixando confuso do destino dela e do seu caminho. Ela para em frente a uma loja de artigos de cama, mesa e banho para a casa.

Onde será que esta mulher suja, de cabelos vermelhos, casaco beje e sapato que você nem sequer reparou mora? Então, o que isso vai mudar na sua vida, talvez nada, ou talvez a próxima vez que comer salgadinho chips barato comprado numa mercearia qualquer você não se esqueça de limpar os resíduos caídos no rosto e na roupa.

Enfim você encontra seu caminho e segue em frente, desviando de pequenas histórias que você ignora simplesmente por hábito ou pressa.